Tinha um tempo em que acordava cedo nas férias para assistir Smurfs e comer nescau com leite.
Tinha um tempo em que tudo que queria era andar de bicicleta com os amigos até aprender a fazer as mais altas manobras.
Tinha um tempo em que meu maior objetivo era treinar para ser campeã de "elástico" na rua em que morava.
Tinha um tempo em que chocolate com refrigerante podiam ser meu almoço na escola.
Tinha um tempo em que para dirigir bastava que tivesse um disco nas mãos.
Tinha um tempo em que minha pilha de leituras eram os gibis da Turma da Mônica que chegavam pelo correio.
Tinha um tempo em que o máximo de raiva que sentia era quando meu irmão pegava o controle da TV e mudava o canal.
Tinha um tempo em que dormir mais tarde significava assistir a novela das oito.
Tinha um tempo em que minhas economias tinham objetivo de comprar aquela minissaia na vitrine.
Tinha um tempo em que beijo na boca era o máximo de proibido que eu conseguia pensar.
Tinha um tempo em que fita k7 era o limite de armazenamento da minha felicidade.
Tinha um tempo em que teclar F3 significava mexer a tartaruguinha na tela do computador e era a interação macro que eu estabelecia com a máquina.
Tinha um tempo em que o dedo no REC esperava tocar a música favorita no rádio.
Tinha um tempo em que esperava por Curtindo a Vida Adoidado e OS Goonies na Sessão da Tarde.
Tinha um tempo em que campeonato de baleado era minha Copa do Mundo.
Tinha um tempo em que a Paralela era um universo em descoberta.
Tinha um tempo em que emagrecer era perder uns gramas e deixar a calça bem apertada.
Tinha um tempo em que Legião Urbana e Red Hot Chili Peppers eram minhas doses diária de adrenalina.
Tinha um tempo em que minha maior perversidade era comer o recheio do biscoito alheio.
Tinha um tempo em que o carnaval era minha brincadeira favorita.
Tinha um tempo e esse tempo passou.
As memórias, contudo, parecem ser superiores ao tempo que passa.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
"Resistir, ser plural. Repartir o acúmulo"
Minhas últimas impressões diante
da vida têm sido como disco arranhado para meus amigos, e consiste
na constatação de que uma vida é muito pouco para tudo que a vida
merece.
Ando dizendo também que deve ser a
crise dos 30, o que me remete a outra constatação: sim, ela existe.
Muito provavelmente isso tudo, no
meu inconsciente consciente, está relacionado ao fato de resistir
aos obstáculos e de querer ser plural, repartindo o que acumulamos
ao longo dos anos. Fernando Anitelli e Daniel Santiago falam disso
brilhantemente em Da entrega.
Apoderar-se de si/Recombinando
atos/Não sou quem estou aqui! Sou o instante...passo
Tenho pensado que se chega em um
momento da vida em que o sujeito começa a tomar as rédeas da
bendita, não tentando segurar o tempo, mas ressignificando seu
pensar, redimensionando suas ações e refletindo que não somos só
aquele aqui e agora, somos efêmeros, instantâneos e nisso, a vida
- a danada - vai passando.
É nesse movimento que penso na
entrega. Entrega à vida.
Apoderar-se de si/Remediando
passos! Convergir no olhar nosso brio e fúria/Conceber,
conservar...a aguerrida entrega!
Tomar ciência de si, revendo os
caminhos e traçando novas trilhas é uma tarefa que requer entender,
assegurar, mas também violentamente se entregar ao novo e ao
diferente, ou o mesmo igual. Se pensarmos que o ontem, o agora e o
depois são a mesma coisa, como repete incansavelmente Anitelli,
perceberemos o quanto de nada sabemos e o quanto o planejar pode nos
trazer tantas surpresas. O quanto a entrega é necessária para a
vivência da vida, pois ela - a danada da vida - não merece ser
contemplada, mas vivida. O tempo de contemplação engole o tempo da
ação e como disse aqui,
o tempo não para e nem espera
Nesse nosso desbravar, emanemo-nos
amor!/Até quando suceder de silenciar...O que nos trouxe até aqui!
Nada melhor virá!
Ser um bandeirante da danadinha
parece ser uma condição em busca de evitar as crises, que podem ser
dos 30, dos 20, dos 50. Esse desbravamento, não tem jeito de ser
melhor se não for embebido de amor. Mas, sobretudo, amor por eles: a
vida danada, o tempo arteiro. Esse primeiro emanar de amor é
condição para todos os outros amores que surgem e surgirão. E como
surgem!
Apoderar-se de si/Remediando
passos!
Um viva ao ser múltiplo e plural
que somos e vamos descobrindo suas facetas ao longo do passar do
tempo, mesmo que isso gere crise. No meu caso, crise dos 30, talvez.
* Trechos em destaque da canção
Da entrega de Daniel Santiago e Fernando Anitelli gravada pelo O
teatro Mágico, meu eterno vício.
Etiquetas
Tempo; Pluralidade; O Teatro Mágico
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Tudo que eu gosto
Amigos, água gelada, alegria, amar
Brigadeiro de colher, beijo na boca, balão, brincar
Chocolate, carnaval, cinema, cantar
Dia de sol, dinheiro na conta, dormir, dançar
Escritos, entardecer, elástico na infância, encontrar
Família, férias, fim de semana, fantasiar
Games, ganache, gestação, gargalhar
Humor, homem, hoje, historiar
Irmandade, internet, inverno, imaginar
Janeiro, jantar a dois, jeans, jogar
Livros, loucura, liberdade, lar doce lar,
Música, melancia, mãe, mar
Namoro, nadar, noite, navegar
Otimismo, outono, orquídea, olhar
Pai, praia, primavera, postar
Queijo coalho, querer, quadrinhos, "quietar"
Rock, recadinho, rubronegro,"romancear"
Sexo, sexta-feira, saudade, sambar
Teatro, tesão, time do coração, trabalhar
Uva, união, ubiquidade, universalizar
Verão, Vitória, verdade, viajar
Xilogravura, xadrez, xará, xeretar
Zodíaco, zabumba, zanzar, zapear.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Sobre o tempo
O tempo é uma coisa esquisita, escorregadia e deliciosamente traiçoeira. Isso tudo porque ele passa e passa nos fazendo acreditar que ele não irá passar tão depressa. Engano, passa. Certeza, é uma delícia.
Cazuza já dizia que ele, o tempo, não para. Meu pai, que pouco tem de poeta, mas tem muito de filósofo, não cansou de me dizer que além de não parar, o tempo não espera. Não espera na esquina, na próxima rua, no parque mais próximo. Ele simplesmente corre rápido. Quantas vezes meu pai tentou me ensinar a aproveitar o que o tempo tinha de bom e o quão interessante era viver as coisas ao seu tempo? Uma contradição...Mas o que é a vida senão um punhado de contradições?
O tempo vai levando nossas vivências, nossas escolhas e, muitas vezes, não vivemos direito tudo que queremos com medo de que ele ande rápido demais. Outras vezes, não vivemos e, por vezes, vivemos demasiadamente de forma intensa. E ele sempre anda, ele sempre passa, deixando e apagando memórias.
O interessante é o que o tempo e sua rapidez fazem da memória um elemento gostoso para dimensioná-lo. Como é gostoso relembra, reviver, "retemporar".
Retemporar é voltar no tempo e sentir os gostos, os cheiros, as vontades, as dores, ainda que em lembrança, em memória. Retemporar é uma invenção minha para tentar segurar um pouquinho o tempo, pedir para ele me esperar. É desacelerar.
"Tempo, tempo, tempo, mano velho...seja legal, conto contigo".
quarta-feira, 18 de maio de 2011
III Edição do Prêmio Instituto Claro: Novas Formas de Aprender e Empreender
O Prêmio Instituto Claro, Novas Formas de Aprender e Empreender, iniciativa do Instituto Claro, foi criado em 2009 e tem como objetivo fomentar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação, por meio do apoio a projetos inovadores que utilizam as TICs para transformar o processo de aprendizagem e promover o desenvolvimento comunitário.
Período de inscrições: as inscrições ficarão abertas do dia 18 de maio até ass 23h59min do dia 09 de agosto de 2011.
Quem pode participar: Qualquer pessoa com projetos alinhados às modalidades e que preencham cumulativamente os seguintes requisitos:
Estar ligado a uma pessoa jurídica, seja uma instituição social, cultural, educativa formal ou não formal, uma escola, universidade, ONG, associação, fundação, entre outras, constituídas no Brasil, de acordo com a legislação brasileira e com sede no território nacional;
Residir no Brasil;
Ser responsável direto pelo projeto inscrito: idealização e gestão.
Modalidade dos Prêmio
“Inovar na Escola”: A modalidade “Inovar na Escola” consiste em apoiar o desenvolvimento de iniciativas que promovam “novas formas de aprender” no sistema formal de ensino, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como fator inovador do processo de aprendizagem.
“Inovar na Comunidade”: A modalidade “Inovar na Comunidade” consiste em apoiar o desenvolvimento de iniciativas que promovam “novas formas de aprender” no sistema não formal de ensino, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação como fator inovador do processo de aprendizagem.
Qual o valor da premiação: O valor total do prêmio é de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), em barras de ouro, a ser dividido entre os vencedores das duas modalidades, de acordo com os orçamentos apresentados.
Conheça as edições anteriores:
https://www.institutoclaro.
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Páginas do Instituto Claro
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Hoje é dia de Maria!
Todo mundo tem uma Maria na vida...
Uma amiga, uma babá, uma professora, uma tia, uma mãe...
Eu não sou diferente.
Na minha vida tem uma Maria!
E a minha Maria é muito especial.
Tem gosto de bolo com calda especial de chocolate;
Tem cheiro de lavanda floral;
Tem toque da textura do saber;
Tem cabelinho branquinho e levinho como algodão;
Tem o melhor abraço do mundo
e a voz do tempo.
É simples e firme, doce e forte;
Minha Maria tem memórias e histórias
de se ouvir com sorriso nos lábios;
Tem a fé maior do mundo
e as lutas marcadas no rosto;
Minha Maria tem força, raça, manha, graça
e teve gana e sonho sempre.
Trouxe no corpo marcas que lhe misturam dor e alegria.
É o som, é a cor, é o suor,
É a dose mais forte e lenta,
já dizia o poeta.
Minha Maria é real, mas um mito.
Sou feliz por ser dela e ela ser um pouco minha.
Quem traz na pele essa marca
possui a estranha mania de ter fé na vida....
Minha Maria, minha vó
Há 98 anos todo dia primeiro de abril é Dia de Maria!
Parabéns, vó!!
Uma amiga, uma babá, uma professora, uma tia, uma mãe...
Eu não sou diferente.
Na minha vida tem uma Maria!
E a minha Maria é muito especial.
Tem gosto de bolo com calda especial de chocolate;
Tem cheiro de lavanda floral;
Tem toque da textura do saber;
Tem cabelinho branquinho e levinho como algodão;
Tem o melhor abraço do mundo
e a voz do tempo.
É simples e firme, doce e forte;
Minha Maria tem memórias e histórias
de se ouvir com sorriso nos lábios;
Tem a fé maior do mundo
e as lutas marcadas no rosto;
Minha Maria tem força, raça, manha, graça
e teve gana e sonho sempre.
Trouxe no corpo marcas que lhe misturam dor e alegria.
É o som, é a cor, é o suor,
É a dose mais forte e lenta,
já dizia o poeta.
Minha Maria é real, mas um mito.
Sou feliz por ser dela e ela ser um pouco minha.
Quem traz na pele essa marca
possui a estranha mania de ter fé na vida....
Minha Maria, minha vó
Há 98 anos todo dia primeiro de abril é Dia de Maria!
Parabéns, vó!!
terça-feira, 29 de março de 2011
SOCORRO!
Segunda-Feira, dia 28 de março de 2011, meu filho, Mateus Lima Santana Freitas de 11 anos foi agredido durante a aula de Educação Física por seis colegas da mesma turma e mesma faixa etária na escola onde estuda - Fundação Baiana de Engenharia no Imbuí.
Era início da aula de Educação Física e o professor ainda não havia chegado à quadra. Ou seja, os alunos do 6º ano B, estavam sozinhos.
Meu filho brincava na trave de futebol quando ficou preso na rede. Imediatamente um colega, que por ser menor não é possível divulgar o nome, se dirigiu à ele dizendo: “É mole, é mole. Ficou preso!” E começou a agredi-lo. Outros cinco colegas que presenciaram o ocorrido, no lugar de se posicionar contrários à situação, juntaram-se ao primeiro agressor e deram socos, pontapés, chutes em Mateus, que permanecia preso à rede da trave sem conseguir se defender ou soltar-se.
Não estavam eles na rua, na periferia, na escola pública, no meio de uma briga, nem em qualquer outro espaço que muitas pessoas usam para justificar a violência e a insegurança. Meu filho era linchado pelos colegas de turma em pleno horário de aula dentro de uma escola particular de bairro de classe média. Isso não minimiza nem amplia o fato. É agressão do mesmo modo.
Após o espancamento, os agressores, subiram num palco e em voz alta o chamavam de “otário que não bate em ninguém”.
Ao consegui soltar-se, ele chorando, com raiva, parte correndo para cima dos agressores, alcança dois deles, quando o professor de Educação Física chega e o surpreende ‘agredindo o colega’. Vão os três para direção. Os outros, responsáveis também pelo linchamento permanecem na aula.
Ele conta o ocorrido à coordenação e os dois dos colegas que o agrediram confirmam a versão dos fatos. E a escola? Nada. Nem uma comunicação à família, nem um primeiro atendimento já que Mateus havia levado muita pancada. Minimizou. Era uma “brincadeira de pré-adolescentes”.
Sou informado do ocorrido pelo próprio Mateus que reclama de dores no corpo e de cabeça. Resolvo levá-lo ao hospital, visto que, aquilo que não está aparentemente visível pode se configurar em algo bem grave internamente, muitas vezes.
Chegando á emergência ortopédica da SOMED, após alguns exames locais e radiografias, o médio identifica que há escoriações na cervical e prescreve antiinflamatório e o colar cervical imobilizador. Uso contínuo por cinco dias. E tudo era só uma brincadeira...
Procuro a escola cheia de indignação, questionamento e ódio. Sim, seria hipócrita se não dissesse que meu sentimento era de dor junto com meu filho e ódio dos agressores, dos seus pais e da escola. Sim, pois a violência não é um fenômeno simples, mas complexo. É composta de muitas variáveis, mas se fortalece às vezes, apenas por algumas. Mas, mais que ódio eu queria ação e respostas:
- Por que uma turma de garotos de 11 anos fica por um tempo sem nenhum adulto por perto acompanhando?
- Por que eu, responsável pelo garoto agredido, não fui informada, notificada pela escola do fato e convidada a ir à escola para uma conversa sobre o fato?
- Mesmo após a confusão, com sangue quente e sem ter reclamado de dores, por que a escola não deu os primeiros socorros ao meu filho? Ou mesmo, ligou imediatamente ao responsável, anunciando o fato e solicitando encaminhamento médico?
- Por que os pais dos agressores, assim como eu, não estavam lá no dia seguinte ao ocorrido para serem notificados, chamados à atenção e serem informados das medidas corretivas ou punitivas, como queiram chamar?
- Por que não houve nenhum tipo de punição para os alunos num caso de agressão gratuita e tão covarde?
- Qual ação preventiva a escola pode tomar para que situações semelhantes não aconteçam?
- Como os responsáveis dos agressores agem e reagem em situações como essas?
São muitas as questões e as indignações. A escola garantiu que os pais seriam chamados e que haveria uma conversa. É pouco. Muito pouco!
Foram só escoriações. Falo só, pois poderia ser pior: um chute nos olhos que afetasse a visão, uma pancada maior que implicasse em comprometimento da coluna ou vértebra que perfurasse um órgão, ou fatal, se a cabeça tivesse sofrido algum tipo de trauma. Não era só brincadeira. Aliás, não era brincadeira. Brincadeira de bater pode ser feita no videogame, onde é possível realizar catarse das emoções contidas sem machucar ninguém. Essas crianças precisam ser punidas, não com agressão de nenhuma ordem, mas por meio de ações educativas e orientações dos pais.
Após a minha visita, a coordenadora dirigiu-se à turma para falar da violência. Nenhum pedido de desculpas. Aliás, um dos agressores, vangloriava-se nos corredores de ter batido tão forte que Mateus estava com o pescoço machucado (não sabendo ele que era a cervical).
Minimizar os fatos, tratar todos de forma banal e normal são males da Educação. Não sei se foi esse o caso. Afinal, espero ainda ações da escola. Nossas instituições de ensino estão cheias de violência em todas as esferas. Não há escala para violência, em minha opinião. Agressão é agressão e tem que ser punida como tal.
Garotos que se juntam para agredir um colega, um companheiro de turma e sentem prazer com isso, não são diferentes dos que agrediram mendigo em São Paulo ou tocaram fogo no índio em Brasília. São apenas, ainda, garotos e covardes.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Meu Mateus
Em 03 de agosto de 2006 publiquei um post aqui parabenizando meu filhote e esperando que um dia ele pudesse ler. Falo isso lá, inclusive.
Esse dia é hoje. Ele resolveu criar um blog dele e futucou vários, apresentei os meus e ele leu o post.
O melhr é que tudo que falei dele é igualzinho. Continua sendo o mesmo garoto especial.
Filho, te amo!
Boa iniciativa. Continue melhorando. Acessem os primeiros passos do meu pequeninho http://boladosport.blogspot.com Não dei nenhum palpite, tudo iniciativa dele, ainda no início.
Esse dia é hoje. Ele resolveu criar um blog dele e futucou vários, apresentei os meus e ele leu o post.
O melhr é que tudo que falei dele é igualzinho. Continua sendo o mesmo garoto especial.
Filho, te amo!
Boa iniciativa. Continue melhorando. Acessem os primeiros passos do meu pequeninho http://boladosport.blogspot.com Não dei nenhum palpite, tudo iniciativa dele, ainda no início.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sobre riso, pessoas e academia
12 de agosto é dia da Revolta de Búzios. Era para ser uma data forte na Bahia. Passa despercebido. Meu eterno Grupo de Pesquisa, o Comunidades Virtuais, falou dele em linguagem de Games, mas talvez nem tanta gente sabe o que foi. Durante meus seis anos de professora da rede municipal de Salvador, a data era quase uma obrigação histórica, esquecida durante o ano e renascida das cinzas no mês de agosto. Mas não é sobre isso esse texto, post, essa conversa. Ou talvez seja...
Dia 12 de agosto, especialmente o de 2010, foi quando recomeçou o semestre de aulas regulares do doutorado na FACED/UFBA. Seria mais um dia, mas na minha vida acadêmica, nenhum primeiro dia é apenas um dia. E tem sido assim, curiosamente, desde que me entendo por ser aprendente. Não foi diferente dessa vez.
Era uma disciplina pela qual tinha brigado pela vaga. Brigado no sentido literal do termo, contudo, felizmente ou infelizmente, sem ir às vias de fato.Confesso que brigado muito mais pelo dia e horário dessa turma do que por qualquer outra coisa, mas confesso que devia ser a tal da Conspiração Universal que tanta gente fala. Há de ser, como diz Vercilo.
A aula começava às 8h, mas obviamente que, mesmo saindo de casa às 7h, se é preciso enfrentar boa parte da Av. Paralela, significa que a saída já está atrasada. Chego às 8h30. A sala lotada de rostos conhecidos, recém colega de trabalho, a vibrante Hildonice; Sandra Nívea, a espetacular militante e das mulheres mais mulheres que já vi; minhas companheiras GECianas, Maristela, a responsável pelas dicas tecnológicas e Salete de cabelo novíssimo; e Sérgio, queridíssimo, mesmo que talvez sem saber. Os outros colegas eram rostos desconhecidos conhecidos. No topo da mesa, lá na cabeceira, lugar de gente importante, ela: a professora.
A aula, ou melhor, o ENCONTRO, como EXIGIU que chamassemos os momentos destinados à Projeto de Tese II, começava com os seguintes versos: Andei buscando esse dia/ pelos humildes caminhos/onde se escondem as coisas/que trazem felicidade:/os amuletos dos grilos/e os trevos de quatro folhas.../Só achei flor de saudade. Ah! Cecília! Uma das minhas preferidas, tem gosto de infância....
Imediatamente a pressa, as rugas da testa, a sensação de 'o que será que vai ser essa disciplina', deram lugar ao riso, palavra que minha 'professora' gosta muito, tanto que a insere em uma disciplina chamada O Riso no Currículo. Penso: Se começou com Cecília, já gostei.
Ela, a professora, achou pouco, trouxe Paulo Mendes Campos, sem falar em Chico, Drummond e tantos outros que passeavam com suas palavras. Esqueci da 'ementa oficial' e pensei: vou deleitar-me às quintas pela manhã. Entre Bakhtin, Netto Machado, Osório Marques, flanavam as canções, os poemas, as datas e os olhares.
Falávamos pouco de nós, embebecidos com seus relatos, experiências, dicas, alívio, 'paciência e não apressamento'. Faziámos trincas até com quem não estava, tamanha a certeza de que tudo daria certo e tamanha a ciência das reciprocidades que construímos. Entre uma fala, um texto, uma leitura, uma imagem, um sorriso, falava-se dos 'encarnados e desencarnados', dos presentes e ausentes. O ausente mor: Tico, Luis Felipe Serpa. Se não conhecia Tico, conheço seu nome, sobretudo, o sobrenome de longa data. Um sobrenome que diz apenas no soar e juntar das letras.
Cida, a qual ainda não havia citado, mas que chamava atenção pelo belo vermelho que vestia e colocava nas orelhas, pergunta:
-Serpa de...'Serpa'?
Um sonoro 'é', meio que óbivo ecoa. E ela continua.
- Ouvi falar muito do professor Serpa e li coisas dele. Ele é fantástico.
Todos nós, concordavamos com as falas de Cida. E de tanto falar da ausência previamente avisada de Tico, ela junta o Tico e o Teco (mas não o mesmo Tico), quase dando curto e pergunta a professora que já havia an passant (palavra que Claudia já havia usado) falado da perda do marido:
- Serpa era o seu marido?
Um riso cúmplice ao 'não' da Marynha (como os mais íntimos chamam minha nova professora) soou-se e Cida, separando o Tico e Teco, diz:
-Ah!! Pensei...
- Não!! Imagina! Sou Arapiraca, de José Arapiraca - dizia Maryíssima, como diz minha espivitada amiga Luciene.
- Teve muitas mulheres, né, Marynha? Mas você não foi uma delas - disse Hil.
- Nãooo! Imagina!! Continuava ela...
E eu que pensava, 'como ela preserva a memória do marido e do próprio Serpa', a ouvi continuar:
- De jeito nenhum, ele era muito velho prá mim.
Riso geral.
Que bom que, talvez inspirada pelos militantes da Revolta do dia 12, briguei para estar nesta turma. Que bom ter conhecido o blog de Mary, que bom fazer parte deste grupo.
E foi assim, tal qual Búzios, que se fez a Revolução no meu pensar os Encontros do Doutorado. Que maravilha é ter junto às Cecílias, Clarices, Anas Maria, uma Maryssima, Arapiraca, obviamente!
Dia 12 de agosto, especialmente o de 2010, foi quando recomeçou o semestre de aulas regulares do doutorado na FACED/UFBA. Seria mais um dia, mas na minha vida acadêmica, nenhum primeiro dia é apenas um dia. E tem sido assim, curiosamente, desde que me entendo por ser aprendente. Não foi diferente dessa vez.
Era uma disciplina pela qual tinha brigado pela vaga. Brigado no sentido literal do termo, contudo, felizmente ou infelizmente, sem ir às vias de fato.Confesso que brigado muito mais pelo dia e horário dessa turma do que por qualquer outra coisa, mas confesso que devia ser a tal da Conspiração Universal que tanta gente fala. Há de ser, como diz Vercilo.
A aula começava às 8h, mas obviamente que, mesmo saindo de casa às 7h, se é preciso enfrentar boa parte da Av. Paralela, significa que a saída já está atrasada. Chego às 8h30. A sala lotada de rostos conhecidos, recém colega de trabalho, a vibrante Hildonice; Sandra Nívea, a espetacular militante e das mulheres mais mulheres que já vi; minhas companheiras GECianas, Maristela, a responsável pelas dicas tecnológicas e Salete de cabelo novíssimo; e Sérgio, queridíssimo, mesmo que talvez sem saber. Os outros colegas eram rostos desconhecidos conhecidos. No topo da mesa, lá na cabeceira, lugar de gente importante, ela: a professora.
A aula, ou melhor, o ENCONTRO, como EXIGIU que chamassemos os momentos destinados à Projeto de Tese II, começava com os seguintes versos: Andei buscando esse dia/ pelos humildes caminhos/onde se escondem as coisas/que trazem felicidade:/os amuletos dos grilos/e os trevos de quatro folhas.../Só achei flor de saudade. Ah! Cecília! Uma das minhas preferidas, tem gosto de infância....
Imediatamente a pressa, as rugas da testa, a sensação de 'o que será que vai ser essa disciplina', deram lugar ao riso, palavra que minha 'professora' gosta muito, tanto que a insere em uma disciplina chamada O Riso no Currículo. Penso: Se começou com Cecília, já gostei.
Ela, a professora, achou pouco, trouxe Paulo Mendes Campos, sem falar em Chico, Drummond e tantos outros que passeavam com suas palavras. Esqueci da 'ementa oficial' e pensei: vou deleitar-me às quintas pela manhã. Entre Bakhtin, Netto Machado, Osório Marques, flanavam as canções, os poemas, as datas e os olhares.
Falávamos pouco de nós, embebecidos com seus relatos, experiências, dicas, alívio, 'paciência e não apressamento'. Faziámos trincas até com quem não estava, tamanha a certeza de que tudo daria certo e tamanha a ciência das reciprocidades que construímos. Entre uma fala, um texto, uma leitura, uma imagem, um sorriso, falava-se dos 'encarnados e desencarnados', dos presentes e ausentes. O ausente mor: Tico, Luis Felipe Serpa. Se não conhecia Tico, conheço seu nome, sobretudo, o sobrenome de longa data. Um sobrenome que diz apenas no soar e juntar das letras.
Cida, a qual ainda não havia citado, mas que chamava atenção pelo belo vermelho que vestia e colocava nas orelhas, pergunta:
-Serpa de...'Serpa'?
Um sonoro 'é', meio que óbivo ecoa. E ela continua.
- Ouvi falar muito do professor Serpa e li coisas dele. Ele é fantástico.
Todos nós, concordavamos com as falas de Cida. E de tanto falar da ausência previamente avisada de Tico, ela junta o Tico e o Teco (mas não o mesmo Tico), quase dando curto e pergunta a professora que já havia an passant (palavra que Claudia já havia usado) falado da perda do marido:
- Serpa era o seu marido?
Um riso cúmplice ao 'não' da Marynha (como os mais íntimos chamam minha nova professora) soou-se e Cida, separando o Tico e Teco, diz:
-Ah!! Pensei...
- Não!! Imagina! Sou Arapiraca, de José Arapiraca - dizia Maryíssima, como diz minha espivitada amiga Luciene.
- Teve muitas mulheres, né, Marynha? Mas você não foi uma delas - disse Hil.
- Nãooo! Imagina!! Continuava ela...
E eu que pensava, 'como ela preserva a memória do marido e do próprio Serpa', a ouvi continuar:
- De jeito nenhum, ele era muito velho prá mim.
Riso geral.
Que bom que, talvez inspirada pelos militantes da Revolta do dia 12, briguei para estar nesta turma. Que bom ter conhecido o blog de Mary, que bom fazer parte deste grupo.
E foi assim, tal qual Búzios, que se fez a Revolução no meu pensar os Encontros do Doutorado. Que maravilha é ter junto às Cecílias, Clarices, Anas Maria, uma Maryssima, Arapiraca, obviamente!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
?!
Flavanava por ai, meio desolada. Confusa talvez. Ansiosa certamente. Sentimentos misturados e sem certezas claras e aparentes.
Queria digirir, sai rodando por ai. Deparei-me com o medo, que me congela os desejos, as vontades, as necessidades.
Precisava terminar tarefas. Não tinha ânimo.
Desejava comer algo, bem saboroso. Estava sem forças.
Esse eu temeroso, duvidoso, desanimado, fraco, suplicava por mudanças IMEDIATAS.
Elas não chegaram.
Recomecei.
Queria digirir, sai rodando por ai. Deparei-me com o medo, que me congela os desejos, as vontades, as necessidades.
Precisava terminar tarefas. Não tinha ânimo.
Desejava comer algo, bem saboroso. Estava sem forças.
Esse eu temeroso, duvidoso, desanimado, fraco, suplicava por mudanças IMEDIATAS.
Elas não chegaram.
Recomecei.
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