domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre Música

Sabe aquelas músicas que dizem TUDO que gostaria de dizer com palavras em um momento da vida?
Pois, essa foi a minha música de sexta a noite ou sábado de manhã passados...

MÚSICA

Nosso sonho
Se perdeu no fio da vida
E eu vou embora
Sem mais feridas
Sem despedidas
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música
Nossas juras de amor
Já desbotadas
Nossos beijos de outrora
Foram guardados
Nosso mais belo plano
Desperdiçado
Nossa graça e vontade
Derretem na chuva
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música
Um costume de nós
Fica agarrado
As lembranças, os cheiros.
Dilacerados
Nossa bela história
Tá no passado
O amor que me tinhas
Era pouco e se acabou
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música

OUVIR!


sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre Institutos e Universidades

"Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei", já dizia Hebert Vianna lá na década de 90. Nessa época Paralamas era minha dose diária de serotonina. Colecionava todos os DVDs e ficava impressionada como eles e a Legião Urbana falavam daquele lugar, que para mim era descondecidamente curioso, com uma propriedade e um distanciamento. Coisas da minha cabeça paradoxal.
Pois bem, já no outro século, vou pela primeira vez à capital do País e me impressiono com a capacidade humano de construir e planejar uma história, um lugar. E, então, concordo com Vianna de que Brasília é uma ilha e falo porque, também sei. Mas, discordo do boiadeiro na rodoviária de Faroeste Caboclo que dizia que "neste país lugar melhor não há" e fez João de Santo Cristo trocar Salvador pela cidade de quadras e o fim, todos sabem. Mas, Brasília tem seus encantos, suas descobertas e suas peculiaridades como toda grande cidade, ainda que essa seja uma cidade inventada. Mas qual não é?
Contudo, esse post não é sobre Brasília, mas sobre uma das minhas voltas à cidade mais recentemente. Aliás, não é sobre isso (até porque já tenho o título do POST!), mas sobre as instituições de ensino e as ilhas que dentro da grande ilha Brasília as coordenam.
Volto de Brasília depois de alguns dias de trabalho na Mãe Capes, como diz Lynn alves. Sim, a Mãe Capes existe e aparentemente não é má. Se apresentou como uma mãe boazinha, carinhosa e amante do diálogo. Gostei da Mãe Capes que conheci. Fato que gostei ainda mais do Bar Devassa no Pontão Sul, mas isso é assunto para outro post.
A Mãe Capes promoveu o encontro para os coordenadores do Prodocência, um programa da mesma para a Consolidação das Licenciaturas nas Instituições de Ensino Superior. Eis o motivo de eu estar lá. Contudo, esse post nasce dai, mas não por ai. A questão não é o programa, muito menos o encontro, ambos de grande valor, mas o papel das Instituições de Ensino Superior do país. E isso nasceu das falas lá na Capes, modificadas, mas nem tanto, depois da primeira intervenção na plenária feita pela minha pessoa a favor da fatia dos Institutos Federais nesse bolo.
O fato é que durante toda história recente as Universidades foram as únicas responsáveis pela oferta de cursos superiores (de forma generalista podemos adicionar ao bolo das universidades às Faculdades e Institutos de Educação Superior). As Universidades assim foram, e ainda são, as detentoras e produtoras de saber científico e ponto! Sou filha delas. Sei de como são boas e duras mães. E até hoje assim é. Todos os louros, glórias, lamentos e problemas atribuídos apenas a elas: Senhoras Universidades!
Contudo, isso começa a mudar com a Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. A 11.892/2008 estabelece a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e atribui uma árdua tarefa aos IFs: ofertar educação profissional e tecnológica nos níveis básico, superior e pós-graduação. PUTZ! Que dever difícil esse. Mas, vamos lá. Nesse novo contexto, a Lei determina que 20% dos cursos ofertados devem ser LICENCIATURAS, ou seja, foco na formação docente para educação básica, carente de professores, sobretudo da área das ciências da natureza.
Os Institutos nascem no maior estilo Benjamin Button, pois embora bebês, como todo mundo não cansa de denominar, têm uma história longa que vem desde as Escolas de Aprendizes e Artífices criadas por Nilo Peçanha no começo do século passado. Ou seja, os Institutos embora recém-nascidos já tinha uma história, uma identidade constituída e a ser reconstruída e uas vocações identificadas, mas a lei determinava que os IFs ampliassem sua arena de atuação. Vamos nós, então, instituir o foco da formação docente no contexto das antigas Escolas Agrotécnicas (no meu caso, visto que sou do IF Baiano).
E começamos a fazer tudo que antes só as Universidades faziam. Vamos fazendo tudo e mais um pouco. Pensando, criando, modificando, errando e acertando e em apenas dois anos e alguns meses já fizemos muito, acredito. Só no meu Instituto originário das Agrotécnicas e, portanto, com uma vocação agrária bem forte, já temos 5 licenciaturas, cursost tecnológicos e Bacharelados, uma Pós-Graduação Institucional e outras em parceria. Sme falar no vasto leque dos cursos profissionalizantes de nível médio e subsequente.
Bom, então, porque os Institutos ainda permanecem na sombra das Universidades? Penso que não é o caso de colocarmos hierárquias, muito menos minimizarmos a importância das Universidades no contexto do país e da Educação. Mas, "peraí", JÁ temos mais de dois anos. Existimos, pô!!
Então, precisamos ser citados, conhecidos, reconhecidos, pois também queremos uma fatia do bolo e não de forma anônima ou fake, mas assinando nosso nome.
Não, CAPES. Não, MEC. As Licenciaturas são responsabilidades das INSTITUIÇÕES DE ENSINO ( e ai tem um leque enorme) e não das UNIVERSIDADES apenas, como se repete corriqueiramente. Não é apenas uma questão semântica ou de oralidade, mas de existência, de identidade.
Existimos e queremos ser reconhecidos como tal! Instituição de Ensino que trabalha no tripé ensino-pesquisa-extensão na dimensão da verticalização nos três níveis de ensino: Básico, Superior e Pós-Graduação. E no bojo da educação estão lá as Licenciaturas. Elas consideradas pela comunidade Acadêmica e Científica o "Patinho Feio" dos Curos Superiores, mas sem as quais não haveriam professores e, sem eles, essa história toda nem teria começado.
A noss tarefa é árdua, mas os Cristãos dizem que Deus não dá um fardo maior do que um filho pode suportar. Então, acreditando na premissa Cristã, penso que temos vontade, coragem e força de fazer e queremos ser reconhecidos por isso, imagine se não queremos ser mencionados?
Começar a mudar apenas o discurso, os termos, a fala já é um caminho!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sem castigo


SEM CASTIGO
(Lande Onawale)

eu te quero porque quero
isto é uma ameaça
um perdão
uma promessa e uma visão
uma súplica
um pedido
um plano e um crime sem castigo...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tinha

Tinha um tempo em que acordava cedo nas férias para assistir Smurfs e comer nescau com leite.
Tinha um tempo em que tudo que queria era andar de bicicleta com os amigos até aprender a fazer as mais altas manobras.
Tinha um tempo em que meu maior objetivo era treinar para ser campeã de "elástico" na rua em que morava.
Tinha um tempo em que chocolate com refrigerante podiam ser meu almoço na escola.
Tinha um tempo em que para dirigir bastava que tivesse um disco nas mãos.
Tinha um tempo em que minha pilha de leituras eram os gibis da Turma da Mônica que chegavam pelo correio.
Tinha um tempo em que o máximo de raiva que sentia era quando meu irmão pegava o controle da TV e mudava o canal.
Tinha um tempo em que dormir mais tarde significava assistir a novela das oito.
Tinha um tempo em que minhas economias tinham objetivo de comprar aquela minissaia na vitrine.
Tinha um tempo em que beijo na boca era o máximo de proibido que eu conseguia pensar.
Tinha um tempo em que fita k7 era o limite de armazenamento da minha felicidade.
Tinha um tempo em que teclar F3 significava mexer a tartaruguinha na tela do computador e era a interação macro que eu estabelecia com a máquina.
Tinha um tempo em que o dedo no REC esperava tocar a música favorita no rádio.
Tinha um tempo em que esperava por Curtindo a Vida Adoidado e OS Goonies na Sessão da Tarde.
Tinha um tempo em que campeonato de baleado era minha Copa do Mundo.
Tinha um tempo em que a Paralela era um universo em descoberta.
Tinha um tempo em que emagrecer era perder uns gramas e deixar a calça bem apertada.
Tinha um tempo em que Legião Urbana e Red Hot Chili Peppers eram minhas doses diária de adrenalina.
Tinha um tempo em que minha maior perversidade era comer o recheio do biscoito alheio.
Tinha um tempo em que o carnaval era minha brincadeira favorita.
Tinha um tempo e esse tempo passou.
As memórias, contudo, parecem ser superiores ao tempo que passa.





quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Resistir, ser plural. Repartir o acúmulo"

Minhas últimas impressões diante da vida têm sido como disco arranhado para meus amigos, e consiste na constatação de que uma vida é muito pouco para tudo que a vida merece.
Ando dizendo também que deve ser a crise dos 30, o que me remete a outra constatação: sim, ela existe.
Muito provavelmente isso tudo, no meu inconsciente consciente, está relacionado ao fato de resistir aos obstáculos e de querer ser plural, repartindo o que acumulamos ao longo dos anos. Fernando Anitelli e Daniel Santiago falam disso brilhantemente em Da entrega.
Apoderar-se de si/Recombinando atos/Não sou quem estou aqui! Sou o instante...passo
Tenho pensado que se chega em um momento da vida em que o sujeito começa a tomar as rédeas da bendita, não tentando segurar o tempo, mas ressignificando seu pensar, redimensionando suas ações e refletindo que não somos só aquele aqui e agora, somos efêmeros, instantâneos e nisso, a vida  - a danada - vai passando. 
É nesse movimento que penso na entrega. Entrega à vida.
Apoderar-se de si/Remediando passos! Convergir no olhar nosso brio e fúria/Conceber, conservar...a aguerrida entrega!
Tomar ciência de si, revendo os caminhos e traçando novas trilhas é uma tarefa que requer entender, assegurar, mas também violentamente se entregar ao novo e ao diferente, ou o mesmo igual. Se pensarmos que o ontem, o agora e o depois são a mesma coisa, como repete incansavelmente Anitelli, perceberemos o quanto de nada sabemos e o quanto o planejar pode nos trazer tantas surpresas. O quanto a entrega é necessária para a vivência da vida, pois ela - a danada da vida - não merece ser contemplada, mas vivida. O tempo de contemplação engole o tempo da ação e como disse aqui, o tempo não para e nem espera
Nesse nosso desbravar, emanemo-nos amor!/Até quando suceder de silenciar...O que nos trouxe até aqui! Nada melhor virá!
Ser um bandeirante da danadinha parece ser uma condição em busca de evitar as crises, que podem ser dos 30, dos 20, dos 50. Esse desbravamento, não tem jeito de ser melhor se não for embebido de amor. Mas, sobretudo, amor por eles: a vida danada, o tempo arteiro. Esse primeiro emanar de amor é condição para todos os outros amores que surgem e surgirão. E como surgem!
Apoderar-se de si/Remediando passos!
Um viva ao ser múltiplo e plural que somos e vamos descobrindo suas facetas ao longo do passar do tempo, mesmo que isso gere crise. No meu caso, crise dos 30, talvez.



* Trechos em destaque da canção Da entrega de Daniel Santiago e Fernando Anitelli gravada pelo O teatro Mágico, meu eterno vício.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tudo que eu gosto


Amigos, água gelada, alegria, amar
Brigadeiro de colher, beijo na boca, balão, brincar
Chocolate, carnaval, cinema, cantar
Dia de sol, dinheiro na conta, dormir, dançar
Escritos, entardecer, elástico na infância, encontrar
Família, férias, fim de semana, fantasiar
Games, ganache, gestação, gargalhar
Humor, homem, hoje, historiar
Irmandade, internet, inverno, imaginar
Janeiro, jantar a dois, jeans, jogar
Livros, loucura, liberdade, lar doce lar,
Música, melancia, mãe, mar
Namoro, nadar, noite, navegar
Otimismo, outono, orquídea, olhar
Pai, praia, primavera, postar
Queijo coalho, querer, quadrinhos, "quietar"
Rock, recadinho, rubronegro,"romancear"
Sexo, sexta-feira, saudade, sambar
Teatro, tesão, time do coração, trabalhar
Uva, união, ubiquidade, universalizar
Verão, Vitória, verdade, viajar
Xilogravura, xadrez, xará, xeretar
Zodíaco, zabumba, zanzar, zapear.





quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre o tempo

O tempo é uma coisa esquisita, escorregadia e deliciosamente traiçoeira. Isso tudo porque ele passa e passa nos fazendo acreditar que ele não irá passar tão depressa. Engano, passa. Certeza, é uma delícia.
Cazuza já dizia que ele, o tempo, não para. Meu pai, que pouco tem de poeta, mas tem muito de filósofo, não cansou de me dizer que além de não parar, o tempo não espera. Não espera na esquina, na próxima rua, no parque mais próximo. Ele simplesmente corre rápido. Quantas vezes meu pai tentou me ensinar a aproveitar o que o tempo tinha de bom e o quão interessante era viver as coisas ao seu tempo? Uma contradição...Mas o que é a vida senão um punhado de contradições?
O tempo vai levando nossas vivências, nossas escolhas e, muitas vezes, não vivemos direito tudo que queremos com medo de que ele ande rápido demais. Outras vezes, não vivemos e, por vezes, vivemos demasiadamente de forma intensa. E ele sempre anda, ele sempre passa, deixando e apagando memórias.
O interessante é o que o tempo e sua rapidez fazem da memória um elemento gostoso para dimensioná-lo. Como é gostoso relembra, reviver, "retemporar".
Retemporar é voltar no tempo e sentir os gostos, os cheiros, as vontades, as dores, ainda que em lembrança, em memória. Retemporar é uma invenção minha para tentar segurar um pouquinho o tempo, pedir para ele me esperar. É desacelerar.
"Tempo, tempo, tempo, mano velho...seja legal, conto contigo".

quarta-feira, 18 de maio de 2011

III Edição do Prêmio Instituto Claro: Novas Formas de Aprender e Empreender




O Prêmio Instituto Claro, Novas Formas de Aprender e Empreender, iniciativa do Instituto Claro, foi criado em 2009 e tem como objetivo fomentar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação, por meio do apoio a projetos inovadores que utilizam as TICs para transformar o processo de aprendizagem e promover o desenvolvimento comunitário.

Período de inscrições: as inscrições ficarão abertas do dia 18 de maio até ass 23h59min do dia 09 de agosto de 2011.

Quem pode participar: Qualquer pessoa com projetos alinhados às modalidades e que preencham cumulativamente os seguintes requisitos:

Estar ligado a uma pessoa jurídica, seja uma instituição social, cultural, educativa formal ou não formal, uma escola, universidade, ONG, associação, fundação, entre outras, constituídas no Brasil, de acordo com a legislação brasileira e com sede no território nacional;

Residir no Brasil;

Ser responsável direto pelo projeto inscrito: idealização e gestão.


Modalidade dos Prêmio
“Inovar na Escola”: A modalidade “Inovar na Escola” consiste em apoiar o desenvolvimento de iniciativas que promovam “novas formas de aprender” no sistema formal de ensino, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como fator inovador do processo de aprendizagem.

“Inovar na Comunidade”: A modalidade “Inovar na Comunidade” consiste em apoiar o desenvolvimento de iniciativas que promovam “novas formas de aprender” no sistema não formal de ensino, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação como fator inovador do processo de aprendizagem.

Qual o valor da premiação: O valor total do prêmio é de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), em barras de ouro, a ser dividido entre os vencedores das duas modalidades, de acordo com os orçamentos apresentados.


Conheça as edições anteriores:
https://www.institutoclaro.org.br/instituto-claro/projetos/

https://www.institutoclaro.org.br/projetos/premio2009/



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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Hoje é dia de Maria!

Todo mundo tem uma Maria na vida...
Uma amiga, uma babá, uma professora, uma tia, uma mãe...
Eu não sou diferente.
Na minha vida tem uma Maria!
E a minha Maria é muito especial.
Tem gosto de bolo com calda especial de chocolate;
Tem cheiro de lavanda floral;
Tem toque da textura do saber;
Tem cabelinho branquinho e levinho como algodão;
Tem o melhor abraço do mundo
e a voz do tempo.
É simples e firme, doce e forte;
Minha Maria tem memórias e histórias
de se ouvir com sorriso nos lábios;
Tem a fé maior do mundo
e as lutas marcadas no rosto;
Minha Maria tem força, raça, manha, graça
e teve gana e sonho sempre.
Trouxe no corpo marcas que lhe misturam dor e alegria.
É o som, é a cor, é o suor,
É a dose mais forte e lenta,
já dizia o poeta.
Minha Maria é real, mas um mito.
Sou feliz por ser dela e ela ser um pouco minha.
Quem traz na pele essa marca
possui a estranha mania de ter fé na vida....
Minha Maria, minha vó
Há 98 anos todo dia primeiro de abril é Dia de Maria!

Parabéns, vó!!

terça-feira, 29 de março de 2011

SOCORRO!

Segunda-Feira, dia 28 de março de 2011, meu filho, Mateus Lima Santana Freitas de 11 anos foi agredido durante a aula de Educação Física por seis colegas da mesma turma e mesma faixa etária na escola onde estuda - Fundação Baiana de Engenharia no Imbuí.
Era início da aula de Educação Física e o professor ainda não havia chegado à quadra. Ou seja, os alunos do 6º ano B, estavam sozinhos.
Meu filho brincava na trave de futebol quando ficou preso na rede. Imediatamente um colega, que por ser menor não é possível divulgar o nome, se dirigiu à ele dizendo: “É mole, é mole. Ficou preso!” E começou a agredi-lo. Outros cinco colegas que presenciaram o ocorrido, no lugar de se posicionar contrários à situação, juntaram-se ao primeiro agressor e deram socos, pontapés, chutes em Mateus, que permanecia preso à rede da trave sem conseguir se defender ou soltar-se.
Não estavam eles na rua, na periferia, na escola pública, no meio de uma briga, nem em qualquer outro espaço que muitas pessoas usam para justificar a violência e a insegurança. Meu filho era linchado pelos colegas de turma em pleno horário de aula dentro de uma escola particular de bairro de classe média. Isso não minimiza nem amplia o fato. É agressão do mesmo modo.
Após o espancamento, os agressores, subiram num palco e em voz alta o chamavam de “otário que não bate em ninguém”.
Ao consegui soltar-se, ele chorando, com raiva, parte correndo para cima dos agressores, alcança dois deles, quando o professor de Educação Física chega e o surpreende ‘agredindo o colega’. Vão os três para direção. Os outros, responsáveis também pelo linchamento permanecem na aula.
Ele conta o ocorrido à coordenação e os dois dos colegas que o agrediram confirmam a versão dos fatos. E a escola? Nada. Nem uma comunicação à família, nem um primeiro atendimento já que Mateus havia levado muita pancada. Minimizou. Era uma “brincadeira de pré-adolescentes”.
Sou informado do ocorrido pelo próprio Mateus que reclama de dores no corpo e de cabeça. Resolvo levá-lo ao hospital, visto que, aquilo que não está aparentemente visível pode se configurar em algo bem grave internamente, muitas vezes.
Chegando á emergência ortopédica da SOMED, após alguns exames locais e radiografias, o médio identifica que há escoriações na cervical e prescreve antiinflamatório e o colar cervical imobilizador. Uso contínuo por cinco dias. E tudo era só uma brincadeira...
Procuro a escola cheia de indignação, questionamento e ódio. Sim, seria hipócrita se não dissesse que meu sentimento era de dor junto com meu filho e ódio dos agressores, dos seus pais e da escola. Sim, pois a violência não é um fenômeno simples, mas complexo. É composta de muitas variáveis, mas se fortalece às vezes, apenas por algumas. Mas, mais que ódio eu queria ação e respostas:
  1. Por que uma turma de garotos de 11 anos fica por um tempo sem nenhum adulto por perto acompanhando?
  2. Por que eu, responsável pelo garoto agredido, não fui informada, notificada pela escola do fato e convidada a ir à escola para uma conversa sobre o fato?
  3. Mesmo após a confusão, com sangue quente e sem ter reclamado de dores, por que a escola não deu os primeiros socorros ao meu filho? Ou mesmo, ligou imediatamente ao responsável, anunciando o fato e solicitando encaminhamento médico?
  4. Por que os pais dos agressores, assim como eu, não estavam lá no dia seguinte ao ocorrido para serem notificados, chamados à atenção e serem informados das medidas corretivas ou punitivas, como queiram chamar?
  5. Por que não houve nenhum tipo de punição para os alunos num caso de agressão gratuita e tão covarde?
  6. Qual ação preventiva a escola pode tomar para que situações semelhantes não aconteçam?
  7. Como os responsáveis dos agressores agem e reagem em situações como essas?

São muitas as questões e as indignações. A escola garantiu que os pais seriam chamados e que haveria uma conversa. É pouco. Muito pouco!
Foram só escoriações. Falo só, pois poderia ser pior: um chute nos olhos que afetasse a visão, uma pancada maior que implicasse em comprometimento da coluna ou vértebra que perfurasse um órgão, ou fatal, se a cabeça tivesse sofrido algum tipo de trauma. Não era só brincadeira. Aliás, não era brincadeira. Brincadeira de bater pode ser feita no videogame, onde é possível realizar catarse das emoções contidas sem machucar ninguém. Essas crianças precisam ser punidas, não com agressão de nenhuma ordem, mas por meio de ações educativas e orientações dos pais.
Após a minha visita, a coordenadora dirigiu-se à turma para falar da violência. Nenhum pedido de desculpas. Aliás, um dos agressores, vangloriava-se nos corredores de ter batido tão forte que Mateus estava com o pescoço machucado (não sabendo ele que era a cervical).
Minimizar os fatos, tratar todos de forma banal e normal são males da Educação. Não sei se foi esse o caso. Afinal, espero ainda ações da escola. Nossas   instituições de ensino estão cheias de violência em todas as esferas. Não há escala para violência, em minha opinião. Agressão é agressão e tem que ser punida como tal.
Garotos que se juntam para agredir um colega, um companheiro de turma e sentem prazer com isso, não são diferentes dos que agrediram mendigo em São Paulo ou tocaram fogo no índio em Brasília. São apenas, ainda, garotos e covardes.